Entrevista

Você é um lider engajado

Por: Helenna Dias

Fotografia: Giovanni Bessa


Em visita ao Brasil, o vice-presidente mundial da Dale Carnegie Training – uma das maiores organizações de treinamento do mundo, com sede nos Estados Unidos e presente em mais de 90 países -, o norte-americano Mahan Tavakoli, consultor de mais de 500 organizações, foi o convidado da revista Minas em Cena para ministrar a palestra Como líderes eficazes desenvolvem colaboradores engajados, direcionada a empresários mineiros. E por que a escolha deste tema?

 

A redução de perdas, resultado das atitudes dos líderes, é de fundamental importância para o sucesso das organizações. Neste contexto, o propósito de toda empresa deveria ser o de reunir os valores de seus colaboradores de maneira a transformar várias forças individuais em um esforço único, poderoso, no qual há sinergia de tarefas e interesses, capaz de transformar em realidade e com excelência os objetivos pretendidos.


MINAS EM CENA - Como trabalhador, o senhor também já se sentiu desengajado ou parcialmente
engajado?


MAHAN TAVAKOLI – Acredito que todo profissional que trabalha há algum tempo já teve um período em que não esteve tão engajado. Eu, particularmente, tive um supervisor imediato em que o convívio não era positivo, era uma pessoa que eu não tinha fé, não conseguia confiar. Segundo pesquisa global, há três propulsores para o engajamento: o primeiro é ter orgulho da organização, o segundo é acreditar na liderança, e o terceiro é ter um relacionamento positivo com a chefia imediata. Então, para mim, nessa época faltou uma convivência positiva com o meu chefe.


MC – Quando não se tem essa abertura com o líder imediato, o que geralmente o trabalhador faz é procurar outro emprego. E nessa busca constante ele também acaba se sentindo um frustrado. Como reverter essa situação?


MT - Na Dale Carnegie temos uma grande crença na autodeterminação e de como você pode impactar o seu ambiente. É muito comum você constatar nas organizações funcionários culpando a chefia ou determinadas pessoas, mas não apontam para elas mesmos. Precisamos ser realistas, há limites para impactar o ambiente e eles também podem impactar dentro dos limites possíveis. Às vezes, uma conversa com o superior imediato pode gerar um impacto positivo e, com isso, você pode ter um controle maior do seu ambiente de trabalho. E, dessa forma, se sentir engajado independentemente do lugar em que está inserido.


MC – Isso quer dizer que o nível de engajamento está mais relacionado a própria pessoa do que ao superior imediato?


MT - O trabalhador tem controle de uma parte, mais isso não quer dizer que os fatores não influenciem no processo. Eles são críticos sim e podem impactar o nível de engajamento.


MC - Em que medida os baixos salários afetam o nível de engajamento dos colaboradores?
MT - Existem outras questões que são motivos de engajamento, como por exemplo, o time pelo qual os colaboradores torcem ou um jogo de boliche. São ações que, normalmente eles não são pagos para isso, no entanto, estão muito envolvidos com aquela atividade, caso contrário não estriam ali. Mas é claro que se estão sendo mal pagos, isso pode comprometer o envolvimento.

 

Também existem situações em que os funcionários recebem salários iguais e, às vezes, um pode estar mais comprometido com a empresa do que o colega. Isso acontece por várias razões: porque tem um bom relacionamento com o chefe imediato; porque acredita muito na causa e se orgulha do que faz; ou porque realmente acredita na liderança sênior.

 

Ou seja, podemos observar que esses fatores interferem muito mais do que o salário. Só que os lideres muitas vezes usam isso porque é muito mais fácil culpar os baixos salários, de que não pode pagar mais, do que assumir as próprias responsabilidades. Em quase todas nossas pesquisas sobre o tema, constatamos que não há uma relação próxima entre o salário e o nível de engajamento dos funcionários.


MC - Como um líder, que também se sente desmotivado, pode motivar o seu colaborador?
MT - É bem mais difícil você empurrar do que puxar, por isso, geralmente o líder precisa estar à frente da equipe, levando-a com ele. Se ele não está engajado, não pode simplesmente chegar e dizer: “vocês precisam se engajar”. Ele precisa trabalhar essa questão com ele mesmo, só assim irá conseguir um bom trabalho. A autenticidade é muito importante, e, ser sincero e honesto é boa parte da filosofia de Dale Carnegie. E, nesse sentido, as pessoas conseguem perceber se o líder realmente está engajado ou não.


MC - Qual a diferença entre um líder e um chefe que apenas dita ordens?


MT – Você pode ver a diferença imaginando um polvo, aquele chefe que irá determinar o que cada um vai fazer é a parte inteligente, pensante, é a cabeça. Assim, o polvo diz para todos os braços o que cada um deve fazer, e as pessoas, no caso, são os braços. Exatamente ao contrário de um grupo de gansos que, para voarem juntos vão revezando e formando um triângulo, tornando-se mais fortes contra o vento. Assim, as organizações melhores posicionadas no mercado, hoje, são as que usam o potencial de todos para conseguir ir mais a frente, ao invés de ter uma única pessoa ditando o que deve ser feito, porque isso limita mais do que quando se tem a colaboração de todos.


MC – Atualmente as relações de trabalho estão desgastadas, isso tem a ver com a liderança?


MT - As organizações foram estruturadas há cerca de 100 anos, e o modelo utilizado principalmente nas indústrias foi o de produção, baseado nos militares. Com o tempo as empresas foram evoluindo, porém, ainda existem muitas lideranças com essa visão, não sabem como tratar as pessoas. E, diferentemente de anos atrás, as pessoas não querem ficar num lugar onde elas não possam contribuir. Então, mesmo que a organização pague um bom salário, mas se o ambiente não for satisfatório para o funcionário, ele prefere ir para outra empresa, às vezes, até
ganhando menos.

 

“É bem mais difícil você empurrar do que puxar, por isso, geralmente o líder precisa estar à frente da equipe”



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